Cor, Alegria e Amor

Que a sua vida tenha cor, alegria e amor.

Entre, "sinta-se" e descubra quanta cor há em você!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Flores em Qualquer Estação

Calo em mim as flores e sufoco este amanhã de primavera. 
Faço como outono. Deixo ir com o vento as folhas secas. 
Respiro e me devolvo o ar. Dos galhos, um mundo a cair. 
Há um universo novo a brotar. Há amor.
Sem demora. Conto horas.

Deste desespero em pressa, 
Peço alento ao tempo:
- Hoje. Flores. Cores. Amor. Já. 

Ai, este fragmento denso que carrego no peito: 
- o silêncio.
Tardando as horas destes ventos que sopram o que não precisa ficar.
Atrasando as flores que não dependem de estação. 
Abrasando o colo vazio e ausentando abraços.

Calo sonhos de amanhã. 
Entalados na garganta. 
Cegos de razão. 
Mudos. 

As flores não precisam de estação.
Viver, é só viver.

Débora Andrade



segunda-feira, 14 de março de 2016

É seu

De perto e de longe. Dos passos largos e lentos, sondando em si as possibilidades do sim e do não. Era uma estrada densa entre flores e espinhos. Desconhecida. Vasta do poder de decisão. Amor fecundo no asfalto. Na dor opaca do chão nascem as flores.

Do silêncio mudo de suas mãos, a reposta sempre estava no barulho da alma. Era a imersão devastando as profundezas de si. Uma pitada de coração em toda direção.  

Cresceu. Evoluiu. E de onde posso ver, noto os passos ainda largos e lentos, encorajados pelo impulso de ser seu. Abraçou-se. Percebeu o poder dos braços. Entregou-se à sabedoria de viver passarinho abrindo as asas.



segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A Pipa

Pipa voa contra o vento. E todo voo é recomeço.

Frágil com seu corpo de papel de seda e taquara, ela voa vaidosa, enfrentando as tempestades dos céus. Não empina com brisa.

Cresce e sobe para descobrir em cada vento contrário uma oportunidade de voar mais.

Pinta os céus com suas cores e segue, dando voltas suaves como se tivesse a sabedoria de ver lição nas dificuldades.
Ela baila pelos céus e conquista o azul, toca as mãos do Sol e retorna. Se recolhe na aurora das tardes, longe das alturas e contempla a terra. Amanhã sabe que o Sol lá, outra vez, estará. E volta a pipa, nem sempre na mesma trajetória, mas sempre alegre e disposta a ganhar a imensidão dos céus.
Deus dá às pipas um céu imenso só porque sabe que existe nelas, mesmo com seu corpo frágil, a condição de conquistá-lo. 


Débora Andrade

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Dialética

Esgotaram em mim todas as perguntas. Só tenho respostas. Minhas. Bem minhas. Mesmo que no momento me invada uma imensurável vontade de dividir e somar.
Existem perguntas que somem com o passar das respostas. Perde o tom da indagação tornando-se afirmações. É a prática do tempo. E o tempo... O tempo só sabe passar. Mesmo que eu peça ou implore, ou ainda que eu ore aos céus, o tempo só sabe passar.
E os nós atados não dissolvem as afirmações contidas na garganta. Tenho um nó na garganta e um laço no peito. Presa às afirmações que o tempo me dá e as rugas começam a me nortear. Amanhã ainda é amanhã. E lá, tão longe, não se realiza nada. Hoje. Este dia sim foi feito para isso. Para realizações. No amanhã moram os sonhos e no hoje, os planos em ação.
Tenho no meu peito um nó. Um laço em fita na boca, como quem a embrulha de presente ao beijo. É teu. Assim como o nó. 
As palavras passam com as horas. As perguntas se tornam afirmações. Perdemos as respostas. Porque o nó é falta. Falta de nós. 
Só tenho respostas. Sim, é uma delas. Mas, o tempo passa. Eu posso esperar. O tempo não. 
Segundo Platão, dialética é a arte das perguntas e respostas. 
E eu só tenho um nó

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Minha Flor

Mais um setembro, entre as gotas de chuva e os pingos nos "is". Um ano que se passa trazendo outros tantos. Entre as nuvens, o Sol, quase tímido, me traz novas notas. A música me faz nascer como sua clave.
Expectativas acolhidas no corpo. Cada poro tem um tanto de esperança. Ainda há tempo. Sempre tem para o que há.
Entre os braços, novos tempos. O mesmo clichê delicioso bordando minha quase rotina de renascer.
Histórias. De todas as flores, a mais bonita brotou do meu ventre, permeando minha alma floreando um jardim. Ela floresce no meu colo. Me desperta sorrisos. Semente de mim.
Mais um ano. Novos tempos. Sonhos. Sempre terão. E a primavera que vivi, hoje está em mim.

Débora Andrade

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Tinta

Eu te encontrei pelo caminho mas, estava te esperando.Sempre te esperei. Te desvendei em mim. Nas minhas entranhas eu encontrei teu código. Te senti, não te recriei. 
Te encontrei pronto. Tão imperfeito quanto eu. Do meu tamanho. 
E nos olhamos além dos olhos. Avistamos nossas almas entrelaçando em nós. 
O nosso beijo deixou o resto do mundo em silêncio e sob nossos pés. 
Era um longo caminhar, sabíamos. Mas,parecíamos tão certos de nós. Dos laços. 
Ao final, mais um entre tantos, restou a tinta na música. Um amor que sobrevive "in". De dentro para dentro. Sem exteriorizar em vida. Sem tornar o amor físico e palpável. Com todas as dificuldade que os "nós" sempre apresentaram ao mundo.
Frágil. Asfixiado e engasgado. Em tinta. Em notas musicais. Em poesia. Vivo nas veias. Sem tempo, sem espaço e sem coragem de ser. 



quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Atemporal

Era para amanhã. Naquele nosso lugar por onde mais de mil vezes fizemos do nosso abraço o espaço mais aconchegante do mundo.
Não precisaríamos mais que o pôr do Sol e a música que existe em nós.
Era mesmo amanhã que, então, nossas mãos firmariam os laços que sempre existiram entre nossos corações. O Universo estava pronto para aplaudir o encontro dos nossos lábios numa profecia de beijo eterno. E então, tomaríamos o caminho de volta à nós. Passo a passo, compondo versos até findar a luz do dia, tendo na Lua nossa inspiração para novos amanhãs e outras poesias.
Era mesmo amanhã que nossos olhos, como tantas vezes, se esbarrariam na ternura dos nossos desejos confessando o quão é maravilhoso estarmos juntos. Sempre.
E, mesmo quando eu estivesse um passo a sua frente, eu só precisaria olhar para dentro de mim, aonde sempre me encontro com você.
Era. Amanhã. Mãos. Olhos. Beijos. Abraços. Versos. Poesias. Sol. Música. Sempre. Sol. Girassol. Nós. Inspiração. Amor. Amor outra vez. Amanhã. Outra vez, amanhã.
Era amanhã.