Desfaço os nós que deram em meus braços porque as letras estão pingando dos meus dedos. Elas são mais rápidas que minha voz. Me desprendo. Me solto. E junto as mãos. Parece um gesto de súplica ao Universo, como quem pede: - passa logo, mundo pequeno. Minha Terra é imensidão.
As letras se juntam neste gesto de mãos postas. Meus braços se voltam ao meu redor, como se fosse eu, o seu mundo. Meu abraço não sabe ser sozinho. Letras e mais letras, e em minha volta, como quem me afaga, estão elas - as palavras. Parece um abraço de versos. Porque eu invento o que me falta. E eu nunca soube viver sem abraço. Sem letras. Sem versos. E o meu reverso é só poesia. Rima corrida, com pressa de viver. Letras loucas, andantes, que saem em busca de abraçar você. Porque minhas palavras também não sabem viver sem gente. Precisam de lugar. E o lugar que elas prosperam... É coração. Meu. Seu. De gente.
Débora Andrade
Março de 2020, em tempos de Corona Vírus