Das dificuldades que existem na vida, definitivamente, o amor não está entre elas. Amor não é dificuldade, é facilitação.
É como a luz no caminho escuro, como a sombra fresca nos dias quentes de sol ou, como o abraço quentinho nos dias de frio.
Amor não te pesa as costas, não te sobrecarrega e nem te sufoca. O amor é leve. Macio como um beijo apaixonado.
O amor não é morno. É latente. Corrente. Impulsiona ao vôo. Amortece a queda. Dá força nas pernas para levantar.
Amor não é um mistério profundo. Ele é escancarado. Te faz brilhar os olhos. Te faz iluminar a face. Te faz brilhar. O amor te evidencia na multidão. Te faz sentir especial.
Não há proibição. Porque o amor te conduz à liberdade de ser você. De se assumir.
O amor não é mentira. O amor é só amor. O que já é o bastante. O que já é extraordinário. O que é amor.
Uma nova edição de amor. Uma nova publicação, com começo, meio e fim, infinito... Com cor, alegria e amor. Bem deste meu jeito bobo de enxergar e viver a vida. Era isso que eu imaginei bordar nas novas páginas da minha vida. Mesmo com toda ela insistindo nas idas e vindas de um mesmo enredo confuso, deixando o amor escorrer pelas mãos enquanto pensa e cria novas dificuldades para o desfecho. Tem um vazio aqui. O mesmo de outro dia. A falta de sempre. Outrora preenchida de esperanças e cálculos matemáticos do destino comprovando que nós somos dois e um nó. Tem um céu nos meus olhos quando te vejo no meu futuro. Mas, o futuro, logo ali, ainda não é. E não o faço sozinha se for para nós. Só para mim. Da absoluta e donas de certezas, minhas decisões sempre beiram um desafio. E teimosa que sou, não aceito mais que cinco minutos de lástimas por aqui. Uma, duas, talvez mil vidas inteiras o tirem daqui. Apague as brutas coincidências e reduza a tamanha afinidade. Aos poucos, dando passos a frente, ponto a ponto, letra a letra, o objetivo é escrever este final com a obrigação de ser feliz. Já aprendi a guardar lembranças na decisão de pontuar finais.
Amanheço nublada. Há neblina pela janela. Uma fresta de luz
do sol e respiro. Inspiro os sonhos e me
encho de vida. Ainda como “Alice, no País das Maravilhas”, parece que não caibo
no aperto do quarto. Estico os braços e pernas em busca de mim mesma. Quero um
mundo em mim e para fora das quatro paredes, sempre em festa.
Da vida eu quero o dobro. Das emoções eu quero o latente, o
vivo, a brasa, o extremo. Sempre bem distante do morno. Quero o tanto que a vida oferece diariamente. Não economizo o sentir. Não guardo as palavras. Não faço poupança de sentimentos porque os juros não compensam a falta de ser.
Tempero a vida com salpicos de bom humor e para apimentar,
amor. Não há receita para a felicidade. Por isso uso da intuição. Bebo da vida
em goles largos, sem engasgos. E amo a tudo que posso, bem como devo ou mais.
Porque não me permito à metades que nunca fui.
Ser inteiro.
Na tentativa de me organizar, criei em mim compartimentos
com a finalidade de separar as coisas. Como quem arruma livros numa prateleira,
se organizar de forma com que, ao me procurar, eu me encontre, sem te
encontrar.
Mudei, quase muda, para o definitivo de mim. Cortei minhas
raízes reticentes, ponto a ponto, me punindo das lembranças.
É... É mesmo tudo aquilo que parecia ser. Rasgando o peito,
queimando as veias uma saudade sem dono. É... tudo aquilo mesmo. De ter o céu
mais perto da gente, de sentir uma euforia dos pés a cabeça toda vez que sente
o tom da voz ou num simples toque.
É... um hiato numa história que parecia sem fim. E um filme
reprisado no fechar dos olhos que reverbera na parede do estômago, meio com
medo de voar feito borboleta. É... uma dor profunda, sem horizonte, sem amanhã,
com interrogações e afirmações sem peso. É um tanto de coisa que poderia ser e
não foi e a latente, recorrente e perigosa expectativa do que pode vir a ser.
É... tudo aquilo que parecia verdade e, talvez seja.
Misturado num medo de superar as frases e as letras que se foram, pela dúvida
da próxima crônica. Numa constante ligação, mesmo por hífen, só porque é bom
sentir certa proximidade, mesmo que seja o nó.
É... um tempo a desvendar os porquês. Um porquê meio bobo,
tipo o que tenho todas as vezes que passo bom tempo falando sobre coisa
qualquer e ouvindo sobre coisa nenhuma e isso ser tão bom e parecer tão
importante. Um porquê quase místico sobre estes dos sonhos que insistem na imagem
que já deveria ter passado, ser passado.
Me organizei, na tentativa de criar finalidades e ainda
guardo lembranças na expectativa de pontuar um fim.
Insisto. Vejo, talvez, um novo sol. Este, de dentro de mim, carregava teu nome já num brilho por um fio. Tanto fez o "tanto faz" que se desfez. Do dilacerar que o coração até tropeçava em tom especial na tua porta, sobrou um tica-tac, por um triz, na minha janela.
Morre um mundo, quase mudo, dentro deste peito de festas. Consciente, não há nenhuma condição para renascimentos. O seguir, tão leve e forte, feito vento ou feito as penas de nós. Vou recriando em mim novos caminhos, novos desertos, que também são necessários para conhecermos nossa resistência à sede, à fome, ao calor, à solidão, à nós.
Um passo atrás e já não mais te vejo. E quando te sinto, renego o gosto. Há tantos outros cheiros bem iguais. Chega de ser especial. Em mim, já nasce novo sol. E nasce porque eu desejo e acredito nele. Amanhã, como todo sempre, recomeço. Mas, sem mais nada do que não deveria ficar.
Haveria um jardim, das mais bonitas e variadas cores e flores, por todo nosso caminho. Haveria ainda as mais belas e doces canções trilhando nossos sonhos e realizações. Eu seria ainda, bem capaz, de reconstruir novo mundo com tudo que fosse essencial para nos fazer e manter felizes. Haveria, se houvesse. Mas, não sei mais, então, se houve. Sem mais.
Não vamos mudar a quantidade de dias do ano, nem mesmo os bissextos. Os dias, por mais curtos que possam parecer, continuarão a correr 24 horas no relógio. O Sol ou a Luz continuarão o revezamento caracterizando dia e noite. Algumas estrelas ainda cairão do céu. Outras, surgirão. Muitos continuarão a fazer pedidos às cadentes. E, neste sempre "talvez", há de realizar um ou outro.
O tempo foi feito para passar. E, bem lá no fundo, na sua mesmice ludibriosa. E continuarão a existir coisas que nunca mudam. Como a espera pelos girassóis.
Há de insistir a gana pela alegria, a sede pela folia, os sonhos em demasia e aquela mesma energia. No coração, ainda haverá espaço para o amor, tão latente e pungente, naquela montanha russa entre a fantasia e a realidade. Mas, para todas as coisas que mudam, há de mudar a visão: - é preciso enxergar verdades e mentiras. Discernir o barato, o avesso, o extraordinário, o real do imaginário. Há de, não mais, acreditar em meia dúzia de gestos bonitos e palavras doces. É preciso entender que amor é, também, compromisso.
E do tempo que virá, dos girassóis que ainda surgirão, haverá o intrigante mistério da fé. Amanhã sempre existirá. E todo dia, é novo dia. Chance para recomeçar.
As feridas se fecharão. As cicatrizes serão apenas histórias. E toda aquela história que parecia verdade, será páginas do livro lido, sem exigências de interpretação.
O tempo passa. Foi feito para passar. E gente que gosta da vida, se transforma, pira, respira e se vira. E o plano para o próximo ano é o de sempre: - Ser feliz.
Éramos mais do que deveríamos ser. Mais que poderíamos ser. Mas, éramos nós. Misturados um ao outro, tornando a vida além.
Acreditei em todos os teus sorrisos e, por isso, me permiti viver fora das minhas margens. Tua face iluminada de riso traduzia bem o efeito que
nossa presença exercia um sobre o outro.
Eu li confissões nos teus olhares. Eu me permiti vivenciar
tuas emoções expressas em todos os abraços duradouros e confortáveis. E quantas
vezes eu bebi palavras de afeto e ternura no gosto da tua boca...
E parecia que, então, permitíamos o amor dentro e fora da
gente. Cercados de silêncios e de sons, coberto por céus esperançosos e
embalados por uma liberdade que parecia nos entrelaçar. Nossa presença parecia somar sonhos do mundo
inteiro. E cabia bem dentro e entre nós. Quase um vício.
Você me trouxe amor em forma de beijo, abraço, música,
flor... Em forma de cartas, de bilhetes nos bolsos, de estradas, de sorrisos
fáceis, de gargalhadas... Você me trouxe amor em pedaços, feito quebra cabeça,
cada vez que parecia abrir a porta cerrada do teu mundo. Trouxe-me amor em forma de “bom dia” e “boa
noite”, em cada vez que, antes de dormir
ou na hora de acordar, me demonstrava o desejo de enfeitar meu dia com tua
presença.
Você me trouxe amor
em forma de recomeço, toda vez que me convencia com teus olhos que era daquela
vez que você conseguiria, enfim, viver uma vida sua, do seu jeito.
Trouxe-me amor em forma de tropeço todas as vezes que você
quase caía e contava comigo para se levantar ou, apenas rir do tombo com você. Éramos "par", parceiros, companheiros.
O amor veio com você em tom de novidade, de desespero, de
sede da presença, de calor do corpo, de corpos envolvidos, de almas em
sintonia. Era um amor com sabor de ponto final, mas, você degustava comigo as
reticências. Incentivava e criava novos parágrafos, sempre distante do fim.
Você me trouxe um amor que não coube só em mim e devastou minhas
impossibilidades, gerando em mim, nova vida.
Eu acreditei em todos os sinais. Em toda persistência: da
vida, dos acasos e, principalmente, na sua.
E hoje, ainda tão perto de um fim sem desfecho, cubro esta
ferida exposta, ainda sangrando; engulo minhas palavras de dor e, sem poesia,
escrevo esta última crônica de nós, em busca de perdão.
Eu me perdoo. Me perdoo por ter me deixado amar. Por ter me
permitido viver este amor sem rumo. Me perdoo por ter acreditado neste amor que
me trazia, leve e bordado com estrelas.
Me perdoo por trair minha intuição quando preferi acreditar
no teu desejo de mudança e de vibrar uma vida bem junto à mim. Eu sentia o
cheiro de vírgulas e ponto final na tua covardia.
E eu te perdoo. Pela tua falta de tato, de prumo e de
consideração. Pela tua covardia em não dizer o que era, de fato. Perdoo por me
fazer acreditar na verdade de tuas letras e na doçura dos teus garranchos que confessavam a alegria da partilha de uma vida entre nós dois. Te perdoo pelos
beijos sinceros, pelos abraços de oito minutos, pelo Sol que nascia às sete da
noite, pela euforia do teu corpo junto ao meu, pela alegria de perpetuar tua
vida em mim...
Eu te perdoo pelo vinho entornado, pela ardência da nossa
pele... Te perdoo pela falta de valentia e de fé em si mesmo... por me dizer que o amor foi feito para mudar
direções e, ainda assim, não mudar a sua. Te perdoo por ter escolhido, mais uma vez, ser
um troféu.
Perdoo por ter sido o homem dos meus poemas, mas, não ter a
coragem de me dar adeus. De escrever nossas últimas linhas, em dissonância com minhas mãos. Mesmo que o caminho não fosse lado a lado. Seria de bom tom para quem falou em amor, saber terminar com amor, ainda que não fosse aquele de desejo. Que fosse o amor de duas almas que se encontraram tantas vezes nos sonhos em busca uma da outra.
Te perdoo pela confusão, pela tamanha dor causada por ela.
Enfim, eu te perdoo por todo o resto e também, pelo que ainda virá.
Eu te perdoo para conseguir me perdoar. E só assim, ter o
fim na mão. Mesmo sem explicação.